Há um passo de desistir da carreira, do sonho desatinado de ser uma atriz para sempre, independente das barreiras, resolvi insistir. Revitalizo meus desejos. Andavam adormecidos. Ser atriz de sucesso nessa terra é ter sorte ou fazer justiça com as próprias mãos. Sorte, não posso dizer que nunca tive. Mas ela não dá o ar da graça a toda hora. E quando a esperança precisa ser nutrida, o jeito é fazer e acontecer. Depois de tanto tempo num mesmo projeto, minha mente girou, ponderou, surtou, agradeceu, desejou, deseja, e desejará sempre viver disso. Arte. Essa coisa que parece um vício. Uma forma de viver que é a vida por si só, que se não se vive dela, se morre. Por alguns momentos pensei em morrer. Por alguns momentos pensei em jogar tudo pro alto e desistir. Por alguns momentos pensei em suicídio. Desistir de ser atriz, pra mim é quase suicídio. Mas tem horas que tudo perde o sentido. Que a vida parece uma grande brincadeira que eu inventei. Mas é a brincadeira mais legal que existe. Vejo outras formas de seguir em frente, de sobrevivência e preciso aprender heroicamente suportar isso. Mas o palco é, e sempre será meu suporte.
Resolvo, decido, insisto e registro. Registro a partir de agora todos meus tormentos artísticos.
Pra começar, ou melhor, pra recomeçar, em poucas horas vou fazer uma coisa que já fiz muitas vezes, como um grande acontecimento! Hoje, é o que me resta. Fazer uma mala pra um mês, viajar pelo Brasil com o espetáculo Dona Flor e Seus Dois Maridos. Próximo destino: Rio Grande do Sul. Era o que faltava para completar a geografia nacional. Amanhã um retorno ao Theatro São Pedro, em Porto Alegre. Voltaremos a Porto Alegre mais uma vez, e partiremos de la por sul adentro. Não conheço este interior, a serra gaúcha. Será uma bela oportunidade!
“Deixe me ir, preciso andar, vou a por aí a procurar rir pra não chorar”.
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