Fazia tempo que meu coração não disparava por esse ‘momento teatro’. Minha amiga Luana Xavier disse certo: ‘Estou ate com vontade de fazer essa peça hoje’. Na verdade, vontade mesmo, alguma que seja, ou a mínima possível, sempre há. Estamos naquele palco ate hoje, talvez porque um dia foi fundido uma formula inabalável. Esta formula foi alterada, e tudo passou a ter outras cores também. Mas neste fim de semana chegamos a uma mistura que não é a original, mas sim a mais especial de toda a trajetória deste espetáculo.
Eu não esperava viver tanta coisa assim quando passei naquele teste em julho de 2007. Atores veteranos que já vivenciaram outras longas temporadas também dizem que nunca houve nada intenso quanto as histórias vividas em Dona Flor e Seus Dois Maridos. Vivi três anos em dois dias. O clima de comemoração da vida, da volta, aquela sensação de querer que o tempo parasse ali. Os atores Duda Ribeiro e Marcello Gonçalves elevaram nossa arte com o regresso cheio de sucesso! Especialmente Duda, que comemorou seu renascimento no palco. A última vez que o vi antes deste momento tão esperado foi há 1 ano atrás. A notícia era que Duda tinha apenas algumas semanas de vida, diante do avanço que tinha alcançado o tumor do seu fígado. Duda é prova MUITO VIVA daquilo que se chama fé.
Estavam todos muito vivos! E lindos.
A partir da árdua decisão de ser atriz - pra sempre - tento descrever as experiências dessa trajetória. Essa escolha é algo que se renova e move meus pensamentos diariamente. O desafio é encarar tudo que envolve esse rumo. E apesar de todas as barreiras , meu coração pede pra seguir em frente. [ http://carolinafreitas-atriz.blogspot.com/ ]
segunda-feira, 28 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
a volta
Volto pra estrada em algumas horas. Próxima parada São Bernardo do Campo. Ainda vamos ensaiar a peça antes de partirmos. Teríamos 3 ensaios nesta semana. Mas foi reduzido em um, que será amanhã. Deve haver algumas mudanças. Eu acho. Estamos distantes da peça há 3 meses e eu confesso não ter nenhuma saudade. Mas é claro que amanha quando a caixa vibrar, o bumbo bater, o tamborim batucar e o pandeiro chacoalhar eu vou dançar. Não há como Dona Flor passar por mim sem fazer meu coração sorrir. Mas quero me apaixonar por outra.
O que é imprevisível já está com data marcada pra acontecer, dentro de algumas certezas: a Rodoviária Novo Rio vai me receber, vou com uma mochila, aquela calça confortável pra (tentar) dormir as 6 horas de sono até lá. São Bernardo vai me acolher ainda dormindo em parte. A outra parte que cedo madruga já deve se deslocar pelas escadas rolantes, corredores, conexões do metro, e pelas avenidas na alvorada. O cheiro de café da rodoviária vai me chamar e eu vou esperar. Logo chega a hora de fazer o chek in no hotel. Vou descobrir qual é o meu andar, dividir meu quarto com alguém que bem conheço, separar meu território e largar a mochila lá. Vou até o café da manha no hotel, que pode ser ótimo ou não. Mas certamente vou tomar uma xícara de café com muito leite pra não despertar muito. Depois vou, aí sim de verdade, dormir até a hora do almoço. Vou acordar e tomar um banho, que pode ser ótimo ou não. Vou entrar numa van com meus colegas que me levará até um restaurante. Neste caminho, pela janela, vou observar a cidade e falar bobagens com meus amigos. Vou almoçar uma comida que pode ser ótima, ou não. Em seguida é so voltar pro hotel, descansar um pouco, fazer a digestão e ir para o teatro. Primeiro dia é para chegar cedo no teatro pra conhecer bem geografia. A peça a gente já esta careca de saber. O teatro também pode ser ótimo, ou não. O espetáculo vai começar e pode ser ótimo, ou não. Mas seja como for, as pessoas vão gostar. Não é prepotência. É potência mesmo. Garantia de 3 anos. Mais tarde vamos jantar e vai ser ótimo porque muito provavelmente vamos beber, e sentir a alegria de estar vivo e fazer teatro, com o tempero da fome. Então qualquer comida será bem vinda. Depois vamos pro hotel. E a partir daí o imprevisível se fará presente. Ou nos juntamos, ou dormimos, ou saímos. No dia seguinte, eu chego em São Bernardo.
O que é imprevisível já está com data marcada pra acontecer, dentro de algumas certezas: a Rodoviária Novo Rio vai me receber, vou com uma mochila, aquela calça confortável pra (tentar) dormir as 6 horas de sono até lá. São Bernardo vai me acolher ainda dormindo em parte. A outra parte que cedo madruga já deve se deslocar pelas escadas rolantes, corredores, conexões do metro, e pelas avenidas na alvorada. O cheiro de café da rodoviária vai me chamar e eu vou esperar. Logo chega a hora de fazer o chek in no hotel. Vou descobrir qual é o meu andar, dividir meu quarto com alguém que bem conheço, separar meu território e largar a mochila lá. Vou até o café da manha no hotel, que pode ser ótimo ou não. Mas certamente vou tomar uma xícara de café com muito leite pra não despertar muito. Depois vou, aí sim de verdade, dormir até a hora do almoço. Vou acordar e tomar um banho, que pode ser ótimo ou não. Vou entrar numa van com meus colegas que me levará até um restaurante. Neste caminho, pela janela, vou observar a cidade e falar bobagens com meus amigos. Vou almoçar uma comida que pode ser ótima, ou não. Em seguida é so voltar pro hotel, descansar um pouco, fazer a digestão e ir para o teatro. Primeiro dia é para chegar cedo no teatro pra conhecer bem geografia. A peça a gente já esta careca de saber. O teatro também pode ser ótimo, ou não. O espetáculo vai começar e pode ser ótimo, ou não. Mas seja como for, as pessoas vão gostar. Não é prepotência. É potência mesmo. Garantia de 3 anos. Mais tarde vamos jantar e vai ser ótimo porque muito provavelmente vamos beber, e sentir a alegria de estar vivo e fazer teatro, com o tempero da fome. Então qualquer comida será bem vinda. Depois vamos pro hotel. E a partir daí o imprevisível se fará presente. Ou nos juntamos, ou dormimos, ou saímos. No dia seguinte, eu chego em São Bernardo.
domingo, 13 de março de 2011
recitando
coisas de marthinha que dá vontade de decorar...
"Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar,
pior é não ter presente, e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar. Meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto, meio autêntico.
Sumi porque sumir é um jogo de paciência, e ausentar-se é risco e sapiência.
Pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado.
A saudade fará mais por nós dois, que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência."
Martha Medeiros
"Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de lidar,
pior é não ter presente, e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar. Meu sumiço é covarde mas atento, meio fajuto, meio autêntico.
Sumi porque sumir é um jogo de paciência, e ausentar-se é risco e sapiência.
Pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu lado.
A saudade fará mais por nós dois, que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência."
Martha Medeiros
quinta-feira, 3 de março de 2011
"falando sério"
Eu podia ter me poupado. Só acho que não merecia tanto descaso. Foi um descaso inoportuno e publicado. Desses que a gente faz perder a esperança no que é nosso destino.
Escrevo pra rebater meu enjôo. Porque a vontade de regurgitar veio com a verdade camuflada, através da covardia vendida. Paguei caro por essa legítima covardia, que embora se adequava ao meu clima de falso desdém. Mas cansei desse fajuto querer. Cansei desse lugar egoísta de quem é perdido, e quando a vontade de me ter é somente fuga. Apesar de me jogar, tenho meu zelo. Mas paro e penso, logo insisto. E pra que? Pra receber em troca, a troca?
Mais uma, mais uma vez, mais um vazio, o mais oco e pior, muito pior. As pessoas que passam na minha vida fazem o concurso: “eu vou te fazer sofrer mais!”. Só pode! Um mais talentoso que outro. Uma coisa impressionante. Irritante. Dessa vez foi sombrio e decepcionante. Basta.
Apesar de tudo, estou ficando “expert” em curativo. Podia ao menos chorar. Chorar faz bem, lava e limpa a alma. Mas não estou conseguindo mais. Tento limpar de outra forma. Vou direto na caixinha de primeiros socorros. Já sei quais são as precauções e medicamentos.
Mas vamos combinar? Meu joelho já ta cheio de cicatriz, não precisa mais tombar. To exausta
Escrevo pra rebater meu enjôo. Porque a vontade de regurgitar veio com a verdade camuflada, através da covardia vendida. Paguei caro por essa legítima covardia, que embora se adequava ao meu clima de falso desdém. Mas cansei desse fajuto querer. Cansei desse lugar egoísta de quem é perdido, e quando a vontade de me ter é somente fuga. Apesar de me jogar, tenho meu zelo. Mas paro e penso, logo insisto. E pra que? Pra receber em troca, a troca?
Mais uma, mais uma vez, mais um vazio, o mais oco e pior, muito pior. As pessoas que passam na minha vida fazem o concurso: “eu vou te fazer sofrer mais!”. Só pode! Um mais talentoso que outro. Uma coisa impressionante. Irritante. Dessa vez foi sombrio e decepcionante. Basta.
Apesar de tudo, estou ficando “expert” em curativo. Podia ao menos chorar. Chorar faz bem, lava e limpa a alma. Mas não estou conseguindo mais. Tento limpar de outra forma. Vou direto na caixinha de primeiros socorros. Já sei quais são as precauções e medicamentos.
Mas vamos combinar? Meu joelho já ta cheio de cicatriz, não precisa mais tombar. To exausta
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